White Zombie – Astro-Creep: 2000 – Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head.
(Geffen – 1995)

  • John Tempesta – bateria.
  • Sean Yseult – baixo.
  • Jay Yuenger – guitarra.
  • Rob Zombie – vocal.

Esse é um dos casos onde o canto do cisne de uma banda é também o melhor momento vivido pela mesma. É daqueles casos que faz com que a gente sinta um certo pesar pelas músicas que não seriam mais compostas, os discos que não seriam lançados, os shows que não seriam mais vividos desde então.

Existe também a constatação que muita coisa seria diferente no metal dos anos 2000 se não fosse a surpresa, o frescor e o groove certeiro que o White Zombie plantou com o seu La Sexorcisto: Devil Music Volume One e reforçou com a criação do nosso clássico em questão, o Astro-Creep: 2000 – Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head. Mas como a história nunca é só sobre flores e glórias, a do White Zombie não seria diferente.

Rob Zombie deu vasão a ambições maiores para o sucessor de La Sexorcisto. Antes mesmo das gravações do seu sucessor ele rompeu com a baixista Sean Yseult, contratou o excelente John Tempesta para a bateria e chamou o tecladista Charlie Clouser. A ambição era grande. Rob queria levar o White Zombie para o campo do metal mais industrial, mas com um sotaque mais pop. Era 1995. Um pouco antes o Nine Inch Nails já tinha lançado The Downward Spiral, o Marilyn Manson estreado com o seu Portrait of an American Family e dois anos antes o Ministry já tinha arrebentado as estruturas com The Mind Is a Terrible Thing to Taste e Psalm 69. Mesmo com o Einstürzende Neubauten, Godflesh, Scorn e tantas outras da velha escola ainda vivendo no submundo, o metal industrial já ia conquistando seu espaço como uma novidade bem vinda e seus clipes eram presença garantida no horário “comercial” da MTV brasileira.

Rob Zombie conseguiu. Colocou a banda para compor em cima de beats cheios de groove e Astro-Creep nasceu no primeiro semestre de 1994 já predestinado a ser um disco de sucesso. A banda vivia um clima não muito bom pelos motivos citados no início desse artigo, mas essa nuvem de bad vibe parece não ter afetado a criatividade do White Zombie. Se afetou, sorte nossa, foi para melhor.

Astro-Creep é superior a La Sexorcisto, que soava mais rústico, direto, seco, mas ainda assim com uma boa dose de novidade.More Humam Than Humam” foi o primeiro single de Astro-Creep. Uma puta música. Cheia de groove e um clima de danceteria decadente que dava o charme que a banda adorava sustentar. Liderada por um beat sequencial, “More Humam Than Humam” encantou logo de cara quem já vinha namorando bandas como Faith No More, Red Hot Chilli Peppers e Jane’s Addiction. Era uma mistura em doses certeiras de peso, melodia, acessibilidade e um refrão pegajoso.

Em sua temática o disco não fugiu do métier adorado por Rob: filmes de horror B e o imaginário do universo burlesco. Desde a potente “Electric Head part.1”, Astro-Creep é todo para cima. Forte. Você sente no ar, é um disco tenso e realmente lindo do início ao fim. “Electric Head Part.2” e “I Zombie” são incríveis e o proto-new-metal “El Pahantasmo Chiken-Run Blas-O-Rama” sustenta aquele groove que Rob Zombie sempre gostou. Isso sem falar na derruba pista já citada More Humam Than Humam”, que nos anos 90 era sucesso nas baladas rock.

Satisfeito e em paz com o seu sucesso, mas não com a banda, durante a turnê da época, Rob Zombie usava um ônibus separado de seus parceiros de banda e tinha seu próprio camarim. Daí pra frente o clima só piorou. Pouco tempo depois a banda ainda lançou o álbum de remixes Supersexy Swingin ‘Sounds e implodiu.

Depois disso a baixista Sean Yseult focou na sua carreira dentro da fotografia, John Tempesta foi tocar bateria no The Cult e J. Yuenger deixou um pouco a guitarra de lado para trabalhar como produtor e engenheiro de gravação. Rob Zombie ainda mantém sua carreira solo muito bem sucedida, além de dedicar seu tempo a sua outra paixão: dirigir e escrever filmes.

Assim como a King For a Day…, do Faith no More e a Head Down, do Soundgarden, sempre tive uma tendência a gostar de músicas hipnóticas e Blood, Milk and Sky ajudou a manter esse looping aceso. Se tivesse que escolher essa estaria entre minhas prediletas. É ela que fecha esse grande clássico do então novo metal. Uma grande música de um grande disco que marcou o fim de uma grande banda dona de um legado inquestionável.