Viper – Soldiers of Sunrise
(Rock Brigade Records – 1987)

 

André Matos – vocal
Yves Passarell – guitarra
Felipe Machado – guitarra
Pit Passarell – baixo
Cassio Audi – bateria

 

Participações especiais: Robson Goulart (Destroyer), André Gois (Vodu) e Lone Dover (Angel)  – backin’ vocais em “Soldiers of Sunrise”.

A primeira vez que assisti um show do Viper foi com meu irmão, no Teatro Mambembe, no final de 1986, numa dobradinha com a banda Angel, de Santos. Confesso que apesar do Viper ter feito um ótimo show as memórias marcantes dessa gig são a corda da guitarra do Yves Passarell ter estourado no meio do show (eu estava em meu primeiro ano de aprendizado de guitarra e estourar corda era simplesmente um pesadelo – risos) e a excelente versão de Master of Puppets que fora executada com Pit Passarell nos vocais.

Meses depois estava sendo lançado o debut-album da banda e tão logo este saiu fui à Woodstock adquirir a minha cópia. A capa era realmente bonita, feita pelo Alberto Torquato, o visual gráfico totalmente atrelado à época com fotos live e em um cemitério. A gravação tinha como produtor o baixista do Vodu, André Cagni e fora realizada no estúdio Guidon nos meados de 1987. Apesar de um pouco irregular a gravação jamais comprometeu o resultado final da obra, um disco recheado de músicas rápidas e vocalizações acima da média para a época.

O início se dá com “Knights of Destruction”, ótima faixa de abertura, com alta dose de energia. Energia que é também ouvida na próxima música, “Nightmares”, com direito à introdução de bateria e coros marcantes no refrão. Mais cadenciada em seu começo, “The Whipper” possui uma melodia vocal aliada a um tema de guitarra no estilo Maiden/Priest. No meio, desenfreia em um speed metal convidativo ao headbanging. Perfeita!

Viper Soldiers of Sunrise

“Wings of the Evil” é uma canção inteiramente escrita pelo principal compositor da banda, Pit Passarell, onde André Matos mostra sua toda sua potência vocal em agudos altíssimos no final do som. Totalmente punk rock, “H.R.”, ou melhor, “Heavy Rock”, este som possui um vocal irreconhecível de André Matos. Foi registrado desta forma rouca devido à combinação pouco tempo disponível para a gravação do álbum e desgaste das cordas vocais do vocalista.

A faixa título, ah, a faixa título é de uma magnitude ímpar, um verdadeiro hino do metal brasileiro com seus quase sete minutos de duração, diversas nuances e riffs, vocais irrepreensíveis e refrões épicos. Vale lembra que nos backin’ vocais desta música estão as participações especiais de vocalistas importantes do metal nacional, tais como André Gois (Vodu), Robson Goulart (Destroyer) e Lone Dover (Angel) abrilhantando ainda mais a performance. Se “Signs of The Night” mantem a pegada Hard/Heavy em alta a instrumental “Killera (The Princess of Hell) possui uma veia Maiden pra lá de pronunciada com destaque para os duetos da dupla Passarell/Machado.

Para encerrar “Law of The Sword”, com riffs cortantes e solos alternados interessantes, fechando com chave de ouro esta obra que atinge seu 30º aniversário, provando que quando uma banda faz o som que realmente acredita a sua sonoridade mantem-se atemporal. Na versão das plataformas digitais é possível ter acesso à demo anterior este álbum, com seis das faixas contidas no registro oficial, onde é possível ouvir uma banda extremamente jovem, porém muito ciente do que estava fazendo.

O resto é história, o Viper acabou se consagrando como uma das maiores bandas do metal do Brasil, lançando mais discos influentes e tendo um reconhecimento do publico que atravessou as fronteiras do país, inclusive abrindo portas no longínquo mercado nipônico.

“…Strong we fight we’re soldiers of sunrise, break the chains of all the time tonight…”

 

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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