Venom Prison – Animus
(Prosthetic Records – 2016)

Por Vinicius Castro

O chamado deathcore é um lugar meio ingrato. E dependendo do que lá se cultiva, o resultado pode sofrer grandes interferências do caricato e da possibilidade de alguns elementos tornarem-se, vamos dizer, um tanto brega.

Em alguns casos as exceções ganham valor macro e temos então uma banda, ou um disco, que realmente agrada. É o caso do dos ingleses do Venom Prison.

Vivendo no mesmo ambiente e respirando o mesmo ar de bandas como Suicide Silence, Job For a Cowboy ou Whitechapel, o Venom Prison ainda não está entre os grandes do deathcore, mas merece.

Eles se formaram em 2014, mas talvez só com esse novo disco, Animus, eles tenham atingido um ponto certo de maturidade para o momento vivido pela banda.

Depois de uma introdução bem atmosférica, o disco explode em raiva absoluta com “Abysmal Agony” e sua massa de riffs death metal. A vocalista Larissa Stupars assume muito bem o comando e guia a banda por um submundo altamente agressivo. A mesma raiva vem salteada em maiores ou menores proporções, mas está lá, presente em todo o álbum. “Perpetrator Emasculation” puxa um pouco mais para o hardcore fazendo par com o groove “Devoid”.

E a brutalidade segue intacta em “Immanetize Eschaton” e a sensação de algo angustiantemente ruim prevalece durante toda a duração de Animus. Como se retratasse um mal alegórico, mas que vivendo aqui, no mundo real, a gente sabe que ele existe e cada vez ganha mais espaço. Esse então é o tema explorado pela banda.

Esse mesmo mal humano permeia as letras de Animus (assim como na capa do álbum) com músicas que falam sobre os males da misoginia, da violação e da opressão de uma maneira que pode abrir os olhos de muita gente, caso essas pessoas estejam prontas para isso. Bingo! Esse paralelo entre o mal que se apresenta fantasioso reflete muito a realidade dos dias atuais. E nisso, o Venom Prison se diferencia das muitas bandas que a gente escuta e vê por aí.

Prepare seu coração e ouvidos para fortes emoções. Animus é implacavelmente feroz e por vezes pode até parecer irritante tornando-se quase impossível aguenta-lo na íntegra. Mas é um mal necessário. Um barulho necessário. E o mundo precisa disso.

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

Posts Relacionados