Venom Inc. – Avé
(Nuclear Blast – 2017)

Isso sim é uma situação curiosa. Não me recordo de ver uma banda se desfazer de sua formação clássica e ao mesmo tempo dar origem a uma outra banda, que arrebanha para seu séquito fãs da banda original, estranho não!?!? Então, quem acaba se beneficiando é o fã que se vê curtindo duas ótimas bandas. Neste caso falamos de Venom e Venom Inc., duas bandas cujas histórias se entrelaçam por conta dos personagens Cronos, Mantas, Abaddon e The Demolition Man. Estes três últimos atualmente formam o Venom Inc., porém, está formação já foi Venom e gravou os álbuns Prime Evil (89), Temples of Ice (91) e The Waste Lands (92), quando no ano seguinte foi anunciada a separação do grupo.

O ano é 2017 e após passarem dois anos em tournée tocando um setlist somente com músicas do Venom, inclusive passando pelo Brasil no final de 2015, adentram em estúdio para nos brindar com a obra Avé via Nuclear Blast. A capa bem ao estilo da banda que os originou adianta que uma sonoridade sombria e hostil se faz presente. E é justamente o que encontramos aqui.

“Ave Satanas” nasceu clássica, um imponente hino de oito minutos que abre o disco com vocais líricos, declamados, imersos em teclados soturnos para desembocar em toneladas de peso, vocais intimadores de Tony “The Demolition Man” Dolan e um refrão que ao ouvir pela primeira vez você automaticamente assimila e sai cantando junto. Que abertura de álbum!

A segunda faixa, “Forged in Hell” segue uma linha mais hard, com riffs muito bem sacados por Jeff “Mantas” Dunn, excelente! “Metal We Bleed” é mais frenética, com um refrão bem forte. Nota-se que a qualidade sonora do álbum possibilita ouvir todos os detalhes da execução facilmente.

Primeiro single do álbum “Dein Fleisch” tem cara de hit e peso absurdo, e como Tony Dolan contou exclusivamente ao Metal Heavy a letra retrata o lado obscuro que nós seres humanos temos e que às vezes não conseguimos controlar, revelando que a carne (fleisch) é suscetível às tentações. “ Blood Stained” tem bumbos duplos robustos de Tony “Abbadon” Bray e levada quase tribal. Nuances melódicas e até o soar de um sino são o grande diferencial desta faixa.

“Time to Die” é paulada desenfreada, de brutalidade garantida, uma das melhores de Avé. Gostei muito da aura agressiva da música. Fiquei impressionado com a técnica demonstrada pela banda em “The Evil Dead”, principalmente pelas palhetadas certeiras e solos inspirados do mestre Mantas. Soberbo!

Uma introdução de arrepiar e um peso mastodôntico anunciam “Preacher Man”, é possível notar vocalizações ousadas neste som, mostrando que o Venom Inc. não se limitou a seguir somente o legado do Venom, mas buscou criar sua própria identidade e conseguiu a contento. Há até uma passagem bem inusitada, com grooves jazzísticos surpreendentes. A letra reforça o caráter contestatório de não seguir dogmas e religiões a fim de evitar-se a manipulação de massas.

“War” é carregada de riffs e vocais explosivos, impossível não se empolgar com o andamento da música, que aliás possui um solo de extremo bom gosto executado por Mantas. O entrosamento da cozinha é perceptível no suporte rítmico em que o guitarrista se envolveu para pode atuar livremente.

Meio arrastada, “I Knell to No God” é caótica e inquieta, de refrão provocativo perfeita para o prenúncio de “Black N Roll”, um arrasa quarteirão que encerra de forma apoteótica esta obra. O título sintetiza o espirito da música, uma combinação inesperada de black metal e Rock N Roll.

Assim como o Venom tem lançado discos inspirados, o Venom Inc. mostra em seu debut que veio para se estabelecer definitivamente como “uma das gratas surpresas daquilo que sempre curtimos” (risos). Vida longa aos Venom que nos inspiram!

Venom Inc. Foto: Divulgação

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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