The Gathering – Nighttime Birds
(Century Media – 1997)

  • Anneke van Giersbergen – vocal.
  • René Rutten – guitarra.
  • Jelmer Wiersma – guitarra.
  • Frank Boeijen – synth e piano
  • Hugo Prinsen Geerligs – baixo.
  • Hans Rutten – bateria.

Há 20 anos em uma coletânea em VHS de vídeos da gravadora Century Media fui apresentado a uma banda que a partir dali iria figurar entre as minhas preferidas. Em meio a nomes como HIM e Tiamat, o The Gathering ganhava destaque por, de certa forma, trazer algo já em uso no metal, mas com muito mais naturalidade.

De fato, aquele fim dos anos 90 sofreu com a mistura de vocais femininos com os guturais em uma tentativa de trazer um certo frescor a um estilo que brigava para se renovar frente ao bombardeio recente do grunge e do new metal.

The Gathering - Nighttime Birds

O The Gathering surgiu em 89, na Holanda, como mais uma banda de doom metal que trazia todas as características que o estilo pedia: vocal gutural, som arrastado e o climão fúnebre. Mas foi em 95, com o lançamento de Mandylion, que a banda encontrou sua peculiaridade no carisma da linda voz de Anneke van Giersbergen.

Apesar do disco de estreia ainda trazer fortes características do doom, já era perceptível um certo namoro das novas músicas com o metal progressivo, mas foi no disco seguinte, nosso clássico escolhido, Nighttime Birds, que todos os elementos se equilibraram em perfeita harmonia.

Prog, metal, doom, lirismo e músicas repletas de melcancolia e refrãos incrivelmente bem estruturados e pop, no melhor sentido da palavra. Sem fazer cara de mau, carregar no visual e com uma vocalista que cantava sorrindo, o The Gathering sempre foi uma banda de canções temperadas com versos fortes e belos refrãos.

Sempre fugindo de rótulos, Nighttime Birds é o disco que abre caminho para uma banda que a partir dali estaria em constante busca por algo novo em sua maneira de enxergar, sentir e compartilhar música.

O disco abre com “On Most Surfaces”, uma música fortíssima, daquelas que você tem vontade de ouvir e reouvir diversas vezes no mesmo dia. Nighttime Birds é um disco de harmonia entre voz e guitarra e essa é a música encarregada de transmitir esse recado.

“Confusion” é uma das faixas parte daquele VHS que me apresentou a banda. É uma música mais reta, é verdade, mas também traz uma sábia delicadeza sob as frases aveludadas que René Rutten imprime a faixa com aquele timbre fechado que a gente só encontra numa Gibson Les Paul. “The May Song” é mais simples e ganha o jogo na letra pessoal e na maneira como Anneke usa sua potência vocal para contar toda história.

Em “The Earth Is My Witness” a dramaticidade é forte, paralisante e arrastada. Uma presença que consegue prender a atenção do ouvinte durante seus pouco mais de cinco minutos. “New Moon, Diferent Day” vem na mesma linha só que não tão carregada na emoção. Ela é mais gelada. Uma música que aposta claramente no vocal de Anneke e soa como se tivesse sido feita depois da linha de voz já pronta e não o contrário. Não traz nada demais, mas mantém o clima para a quebra que vem a seguir.

“Third Chance” é daquelas pra tocar na rádio e já dava dicas de para onde a banda iria. É uma música a frente da própria carreira criativa que eles sustentavam até então. Mesmo sendo lançada em 97, conversa com extrema proximidade com o que o The Gathering fez em Home, último disco com Anneke nos vocais, lançado em 2006. “Third Chance” é mais pra cima, tem um refrão pegajoso daqueles que fazem você sair cantando em um fim de tarde.

“Kevin Telescope” vem na sequência e, pra mim, é mais fraca do disco embora prepare bem terreno para a faixa que dá nome ao álbum e “Shrink”, um lindo encerramento emocionado pautado em um piano e na voz de Anneke. Ambas são as responsáveis por encerrar esse incrível clássico.

Enquanto Mandylion era mais robusto e os discos que vieram depois do excelente How To Measure a Planet…, Nighttime Birds é simples, mas cheio da vida e da beleza que, em diferentes estágios e gradações, permeariam todos os discos que, para nossa sorte, a banda lançaria a seguir.

The Gathering - Nighttime Birds