Grindcore, air guitar e soco na cara

Assim, nessa ordem. O Test tocou pela primeira vez na Colômbia, passando por Cali, Bogotá e Medelín. Nesta última, acompanhamos o baile.

Texto e fotos por Daniel Motta – Los Metaleros de Medelin

 

Você consegue ver os dois guitarristas na foto acima? Eu os vejo claramente. A única diferença é que um deles tem uma guitarra de verdade e o outro não mas, ei, vamos respeitar o praticante de air guitar.

Aqui estou eu, em um bar chamado El Sub na zona norte de Medellín, fazendo fotos do show do Test, que tocava pela primeira vez na cidade. E então eu percebo esse camarada que está curtindo muito o show. Talvez até um pouco demais, como aquela pessoa que começa a gritar as letras –  pra todo mundo saber que ela conhece – quando a banda começa a tocar sua música favorita (quem nunca?). Fã Número 1.

O El Sub tem um espaço bem grande pra shows, na parte do fundo. Só que nesse dia, essa área estava em reforma, então todo equipamento foi colocado bem na entrada, onde normalmente ficam o bar e algumas mesas. Ou seja: não tinha muito espaço nem pra banda, nem pra galera. Se você estivesse a fim de dar aquela curtida, o espaço seria um problema, como você pode ver nessa foto.

Antes de seguirmos com o texto, tome um momento para admirar essa imagem, por favor. Quanta coisa acontecendo ao mesmo tempo! Parece uma daquelas pinturas medievais que mostram um dia na vida do feudo. É difícil fixar o olho em algo.
Mesmo para os padrões de shows underground, o Fã Número 1 estava se excedendo um pouco. Estávamos todos ali, vendo arte sendo feita bem diante de nós e lá estava o rapaz, bloqueando a visão de geral. Ele até encheu o meu saco! Ficou fazendo chifrinho com a mão pra que eu tirasse uma foto. Fingi que tirei e aguardei ele sumir da minha frente mas quando percebi lá vinha a mão tentando bloquear a lente. Porra, bicho!
Como se essa encheção de saco não fosse suficiente, ele aparecia em TODAS fotos que eu tirava. O grande lance de fotografar em um lugar pequeno como esses é que a galera está sempre se movendo na roda, então a todo momento alguém diferente vai aparecer no fundo. Menos ele. Ele estava em todas fotos. Se eu não conhecesse os caras da banda, poderia até pensar que o sujeito era o terceiro membro do Test, como o Leeroy, aquele cara que costumava dançar no Prodigy.
Lembra dele? Melhor integrante do Prodigy, fácil! Esse camarada sabia como levar a vida. Estava em uma banda e não precisava se preocupar com entrevistas, passagem de som, afinação, nada! Não que o Prodigy jamais tenha sido conhecido por passar o som mas, mesmo assim… Ele tinha todo o bônus de estar numa banda sem o ônus. Que vida!
O Test acabou mais uma música. João levantou uma cerveja pra brindar com a galera e agradecer e então o primeiro grito de protesto contra o Fã Número 1 ecoa: “Eu to aqui pra aproveitar o show, não pra ficar vendo sua cara, seu idiota!”. Acontece que o Fã Número 1 estava tão bêbado que nem ouviu a advertência/ameaça. Pra ser honesto com você, eu até escutei mas não entendi o que era até vê-lo caído no chão pouco tempo depois.
Barata começa a tocar de novo e o caos recomeçou. Era o que o sujeito que gritou precisava para agir. Um tapinha no ombro pra chamar a atenção do Fã Número 1 seguido por um direto na cara. Antes mesmo que o pobre coitado pudesse se dar conta do que rolou, outro personagem lhe deu mais uma porrada . Depois dos socos, os dois pugilistas celebraram com um high-five.
Sabe aquele sentimento de quando você está bêbado e de repente alguma coisa terrível acontece e você fica sóbrio na hora? Certeza que foi isso que Fã Número 1 sentiu naquele noite. Depois dos golpes, ele desaparecesse para não mais ser visto naquela noite.

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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