TAU CROSS – Pillars of Fire
(Relapse Records – 2017)

 

Independente do meu, do seu, do gosto pessoal de cada um, há de se reconhecer que o Tau Cross é um daqueles casos em extinção onde um bando de caras vindos de grandes bandas se juntam para fazer algo diferente dos seus projetos originais.

A sensação é que Rob Miller (Amebix), Away (Voivod), Andy Lefton (War/Plague), Jon Misery (Misery) e Tom Radio (Frustration) estão se entendendo muito bem ali mesmo que em uma primeira impressão o Tau Cross pareça uma banda meio fora de esquadro.

Pillar of Fire é um disco que talvez afaste muitos ouvintes, mas vale insistir. Não é um álbum que conquista logo de primeira. Ele até pode soar chato dependendo do momento em que o ouvinte estiver, mas repito, dê outra chance. E se preciso for, insista outra e outra vez mais.

 

Banda Tau Cross - Pillars Of Fire

 

Enquanto a faixa título tem ecos de New Model Army e Sister Of Mercy, “Deep State” é quase um TSOL cavernoso. Entre todas as faixas, ainda dá pra citar “On The Water”, “Seven Wheels” e a oitentista de refrão pegajoso “Killing The King”. Mas mesmo que essas músicas ganhem certo destaque, não fogem a unidade estética que Pillar of Fire oferece.

“The Big House” e “Rfid” poderiam ficar de fora. No contexto geral soam até desnecessárias e talvez sem elas teríamos um disco mais eficiente.

O Tau Cross foge desse nosso mundo repleto de tendências, direcionamentos e respira por meio de sua própria contemplação do fim dos tempos e Pillars of Fire é um baita registro. Um disco corajoso em assumir um direcionamento ainda mais esquisito que a estreia da banda em 2015.

Por vezes vai parecer enjoativo, mas assim que você entrar de vez na viagem dos caras, vai ficar claro que o Tau Cross parece viver muito bem dentro do que se propõe a fazer: um metal bruto com um pouco de punk e um pouco de pós punk. Quase um Killing Joke pós apocalíptico. Mas tem também um pouco de uma novidade despretensiosa, honesta e bem-vinda.

 

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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