Skinlepsy – Dissolved
(Shinigami Records – 2017)

A junção de músicos experientes na maioria das vezes resulta em trabalhos acima da média e no caso do Skinlepsy isso é facilmente constatado ao ouvir seu mais novo trabalho, Dissolved. Formado por André Gubber (Pentacrostic) nas guitarras e vocais, Leonardo Melgaço nas guitarras e Evandro Jr. (Anthares) na bateria, este álbum é uma agradável e nítida evolução da banda se compararmos com o surpreendente debut Condemning the Empty Souls de 2013.

Gravado nos estúdios 44 e Dual Noise, ambos em São Paulo, e com produção de impecável de Roberto Toledo o álbum abre com “Perfect Plan”, uma faixa arrasadora, palhetadas bem coordenadas com os bumbos e vocais que transmitem a ira contida na letra do som. Há algumas alternâncias no andamento que abrilhantam ainda mais a música, inclusive com algumas ricas influências de Death nestas partes.

Mantendo a porradaria temos “The Mentor”, com solos muito bem executados e riffs extremamente técnicos tocados pelos guitarristas Gubber e Melgaço. Aliás, fico bem a vontade de falar do Gubber, uma vez que nos conhecemos no início dos anos 90, quando ele integrava o Skullkrusher e eu o Apoleon. Trata-se de um preciso riff maker que não economiza na criação de bases poderosas.

Bem intrínseca, “Ask to Diablo” apresenta uma notável participação do baterista Júnior. Uma pancadaria recheada de bases apuradas e um refrão matador! Curti muito esse som! Vale destacar os solos cirurgicamente inseridos nas bases.

“The Hate Remains the Same” traz início grandioso que remete ao death metal clássico para depois desfilar altas doses de brutalidade. “Caustic Horror” é um coice de palhetadas e riffs que nos levam à Suécia, graças a semelhança criativa com as bandas oriundas deste país escandinavo.

A faixa título começa com batidas tribais, guitarras rasgadas e possui uma das quebradas de ritmo mais inusitadas do álbum, excelente essa variação. Novamente, solos dotados de muito bom gosto “costuram” a faixa, que seguramente é um dos pontos altos do disco.

Com pegada death/thrash “Blood and Oil” transborda peso e muita agressividade, traduzida em blast beats estrategicamente colocados. Em suas músicas o Skinlepsy consegue, de maneira natural, unir andamentos e ideias diversas sem soar confuso, por isso a originalidade da banda fica latente no disco.

Uma instrumental de quase dois minutos de duração, detectei uma forte influência de Voivod em “Insomnia”, o que me agradou muito, pois sou fã incondicional dos canadenses, ponto para o Skinlepsy!

Enquanto “A New Chance of Life” atropela o ouvinte com alta velocidade cabe a “Murder” sentenciar o fim desta obra estupenda do metal extremo. Trata-se de uma versão para uma música de uma das mais atuantes bandas do cenário paulistano nos anos 90, o Siegrid Ingrid, na qual Gubber e Júnior tocaram juntos e gravaram o álbum The Corpse Falls de 99.

Falando nisso, está aí uma banda que me traz grandes lembranças dos anos 90, quando por exemplo colocamos muita gente numa noite gelada de inverno com a trinca Genocidio, Siegrid Ingrid e New York Against Belzebu no eterno Black Jack em 1995.

Passado e presente reunidos, que o Skinlepsy tenha um futuro semelhante ao Dissolved de mais composições brilhantes, qualidade de gravação excepcional e principalmente reconhecimento do público, para que esta banda perdure por muitos e muitos anos!

Skinlepsy – Dissolved

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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