Helloween – Keeper of the Seven Keys I
(Noise Records – 1987)

 

  • Michael Kiske – vocal
  • Michael Weikath – guitarra
  • Kai Hansen – guitarra
  • Markus Grosskopf – baixo
  • Ingo Schwichtenberg – bateria

 

Por volta do meio da década de 80 o Helloween já tinha muito bem encaminhado o percurso que os levaria ao estrelato, faltava um ingrediente que pudesse elevar o ainda mais alto nível de qualidade da banda… tal ingrediente deveria desafogar o guitarrista/vocalista Kai Hansen pois este acumulo de função estaria comprometendo a banda em apresentações. A solução veio do mesmo local onde a banda estava sediada, Hamburgo, e atendia pelo nome de Michael Kiske.

Kiske possuía um timbre de voz que remetia a Geoff Tate, mas que nunca se configurou como cópia, pelo contrário, parecia que o alemão tinha obtido um selo de qualidade natural ao se assemelhar ao americano. A química entre Kiske e os demais integrante foi tão imediata que a banda, ao adentrar ao estúdio no final de 86 para registrar o sucessor de Walls of Jericho, apresentou ao produtor Tommy Newton material suficiente para o lançamento de um álbum duplo, ideia prontamente rechaçada pela gravadora devido ao risco que um formato deste possuía naquele momento. OK, acertou-se que ambos os então intitulados Keeper of the Seven Keys I & II sairiam em um espaço de um ano.

Portanto, em 87 sai Keeper of the Seven Keys I, o primeiro de uma trilogia que levaria o Helloween ao topo da cena metálica mundial. O álbum abre com a introdução “Invitation” com coros e orquestrações preparando o terreno para a arrebatadora “I’m Alive”, um petardo bem speed metal com performance exuberante de Michael Kiske, mostrando o seu cartão de visitas e suas credenciais. Destaque para o ping pong nos solos promovido por Hansen e Weikath. Em seguida o peso de “A Little Time”, canção composta integralmente pelo vocalista recém-chegado à banda e com refrão bem grudento.

Um tema de guitarras agudo introduz a música, uma base cavalgada conduz as estrofes, um bridge abre caminho para um dos refrões mais épicos que o metal já presenciou. Sim, está é “Twilight of the Gods”, cuja dramaticidade nos arranjos carrega doses cavalares de melodia. A próxima faixa, uma balada chamada “A Tale That Wasn´t Right” tem emoção em larga escala e alcance vocal altíssimo de Kiske, um solo de guitarra que esbanja feeling e bom gosto.

Um riff marcado puxa “Future World”, uma das músicas mais empolgantes do Helloween, com bases abafadas e refrão marcante. É interessante que no meio desta música há algumas colagens de sons que se tornariam marca registrada da banda. Não é um grand finale, mas como “Follow the Sign” é uma bela instrumental que encerra o álbum e que contém somente guitarras e vocais sussurrados vamos aqui reverenciar uma obra do sem precedentes no metal mundial: “Halloween”. Por trás de seus mais de 13 minutos está uma pérola musical com bases trampadas em abundância, solos inspiradíssimos, assim como climas que permeiam o som por completo, fora a voz de Kiske que magistralmente declama versos e coros. Impossível ficar indiferente à essa amostra irrestrita de genialidade.

Para muitos foi o disco que definiu o estilo que posteriormente foi nomeado como metal melódico, e como qualquer estilo que está sob o guarda-chuva do heavy metal tem bons e maus expoentes, mas com certeza o Helloween está entre os maiorais deste nicho metálico e a longevidade da banda atesta isso, independente dos altos e baixos em sua carreira. Continua…

 

 

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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