PARADISE LOST – Gothic
(Peaceville Records – 1991)

 

  • Nick Holmes – vocal.
  • Matthew Archer – bateria.
  • Stephen Edmondson – baixo.
  • Aaron Aedy – guitarra.
  • Gregor Mackintosh – guitarra.

 

Gothic, lançado em 91, o segundo disco do Paradise Lost, mesclou em doses cirúrgicas as ambiências etéreas do gótico e o peso do Black Sabbath, Trouble e Candlemass. Ou seja, riffs pesados, arrastados e lindas melodias somadas a um vocal que equilibra passagens guturais com a linha cavernosa, herança clara de nomes como Sisters of Mercy.

O disco abre com a música que dá nome ao álbum e que logo de cara já apresenta parte da riqueza que seria revelada aos poucos. A produção não ajuda muito, mas tem aquela nebulosidade viscosa que dá mais realidade ao quadro que vai sendo preenchido a medida que cada música acontece. Somado a isso, a inclusão do vocal de Sarah Marrion, algo que já havia ocorrido timidamente em Lost Paradise, dá um toque especial a música.

“Dead Emotion” e “Shattered” são pesadas e temperadas com uma rispidez que conversa bem com o disco anterior. Parece funcionar como uma sequência criativa mesmo.

Além da faixa título, “Rapture” é uma outra que quebra o vínculo com o passado e acena claramente a uma direção sem medo de investir em terras menos seguras, mas produtivas. Começa lenta, com uma introdução pequena e quando acelera, o vocal ressoa como se cada estrofe estivesse vindo de dentro uma caverna. Sem dúvida, uma das melhores do disco.

 

 

O hino “Eternal” talvez seja a maior herança dessa, até então, nova mistura gótico/doom metal. O teclado, que junto com as lindas melodias de guitarra direciona o andamento sinfônico da música, deixa claro esse encontro que pode parecer casual, mas é de uma genialidade difícil de precisar.

A instrumental “Angel Tears” faz ponte para “Silent” e sua clara referência, e por que não, influência direta dos mestre do Candlemass.

“The Painless” traz outro dueto vocal com Sarah Marrion que oferece um contraste na medida em relação ao peso que a música traz. Gothic, o disco, disco fecha com “Desolate”, uma música comandada e orquestrada pela The Raptured Symphony Orchestra.

Ao final, a conclusão é que o segundo disco do Paradise Lost deixou algumas boas marcas. Lembro que em uma das edições de uma revista de metal da época, foi publicado um encarte com pôster e a tradução das letras desse disco. Era como uma cartilha de tudo o que havia de mais fresco dentro das direções que o metal estava tomando naquele momento. Gothic criou algumas memórias de quem eu fui e de para onde eu queria ir. Mas o mais importante de tudo isso é que seguimos juntos por todos esses anos.