Por Murillo Leite

De 2014 para cá somente no ano passado o Obituary não deu as caras por aqui, e parece que o público sentiu falta, já que o Fabrique Club ficou bem cheio nessa passagem da banda por São Paulo. Em meio a uma turnê latino-americana que inclui o México também, os oriundos da Florida/EUA são uma das bandas de death metal mais simpáticas que se tem notícia, os caras exalam bom humor até no palco e estavam visivelmente felizes por tocarem na capital paulista novamente. Bem sacada a homenagem do DJ da casa a Malcolm Young antes e depois da gig, com AC/DC rolando alto nos falantes.

Excetuando o ar condicionado que funcionava parcialmente e a iluminação predominantemente vermelha na apresentação (segundo a produção, uma exigência da banda) e que atrapalha demais a vida dos fotógrafos que registram as apresentações a noite foi ótima para os fãs.

Quando a guitarra de Trevor Peres surgiu tocando o riff inicial da instrumental “Redneck Stomp” com o timbre inacreditavelmente igual ao dos discos a massa começou o mosh na pista e o “Bitú”, apelido carinhoso dos fãs para com a banda, entrou com força máxima para inflamar o local. Emendando com “Sentence Day” do último play da banda que leva o nome do grupo, foi possível constatar que seria uma noite Old School mesmo com stage-dives ocorrendo durante todo o set.

A qualidade do PA estava excelente, proporcionando aos presentes ouvir todas as quebradeiras que Donald Tardy imprime em seu kit de bateria. A próxima, “Visions In My Head” continuou o massacre proposto pela banda antecipando uma session mortal de sons do clássico absoluto e ainda meu favorito Cause of Death: as estupendas “Chopped in Half”, ”Turned Inside Out” e “Find the Arise”.

Em seguida e fortemente divulgando seu último trabalho de estúdio quatro temas são executados com perfeição: “A Lesson in Vengeance”, a rápida “Brave”, “Turned to Stone” e “Straight to Hell”. John Tardy se dividia em vocalizar as palavras com seu gutural inconfundível e entreter a galera que a essa altura subia e descia do palco com extrema facilidade. Completando a line-up temos o excelente guitarrista Kenny Andrews e o lendário baixista Terry Butler, conhecido por ter integrado o Death de 1987 a 1990.

Mais uma do Cause of Death, “Dying”, e suas palhetadas marcantes foram tocadas com extrema precisão, assim como a agressiva “No”, finalizando a primeira parte do show. Para o bis 3 porradas começando com “’Til Death” do primeiro álbum Slowly We Rot, a fantástica “Don’t Care” e para finalizar o hino “Slowly We Rot” pondo fim a pouco mais de uma hora de metal extremo e de qualidade imposta pela banda.

Na ativa há mais de 30 anos, sempre vai faltar uma música ou outra para quem estava no show, mas com certeza nunca faltará diversão quando o Obituary estiver no palco. Sinceramente espero que eles voltem mais vezes para disseminar seu som extremamente pesado e a humildade que pude atestar pessoalmente, quando pude abrir um dos seus shows na tour brasileira de 2014. Até a próxima, “Bitú”!

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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