METALLICA – Hardwired… to self-destruct
(Blackened Recordings – 2016)

 

Não é das melhores sensações quando você é muito fã de uma banda e esta demora oito anos para lançar material inédito. O maior hiato entre os lançamentos do Metallica felizmente gerou um álbum que agradou bastante, principalmente por conter elementos que nos levam aos primórdios da banda, sem soar requentado ou datado. Iremos comentar a versão tripla de Hardwired… to self-destruct.

A faixa título, que abre ferozmente o disco 1, empolga pela pujança demonstrada em riffs certeiros e levadas precisas, tudo isso somado ao vocal rasgado de James Hetfield. “Atlas, Rise” apresenta uma mistura no mínimo interessante: bases estilo Metallica com fraseados dignos de Iron Maiden, como se o thrash da Bay Area fizesse fronteira com a NWOBHM.

Muito peso e um refrão chamativo, esta é “Now That We’re Dead”. As palhetadas pós-solo possuem um ar de improviso. Genial! “Moth Into Flame” sintetiza o conceito do álbum, fazendo a ponte entre o Metallica atual e o iniciante. O peso arrastado de “Dream No More” contrasta com as harmonizações dissonantes do vocal criando um ambiente por vezes claustrofóbico. Talvez seja a afinação, mas este som lembra “Sad but true”. “Halo on Fire” encerra de forma excelente o disco 1, com a banda soando extremamente coesa, apesar dos contratempos e mudanças de riffs constantes nesta faixa.

“Confusion”, com sua introdução em ritmo de marcha militar nos presenteia com uma das melhores estrofes já produzidas pelo Metallica, graças às melodias vocais estarem totalmente alinhadas ao instrumental. “ManUNkind”, cujo clipe presta uma homenagem à cena extrema mundial, tem um dos refrãos mais marcantes do álbum e riffs fraseados de muito bom gosto.

A porção Load deste disco atende pelo nome de “Here Comes Revenge”, mas não é para um susto maior, afinal a faixa não destoa do restante do material. Já “Am I Savage?”, é sim, a ovelha negra do play, cuja digestão é indiscutivelmente mais prolongada. A homenagem espetacular a Lemmy em “Murder One” é de uma emoção singular. Somente fãs da música de um cara, ou no caso do próprio Motorhead, seriam capazes de produzir algo tão real e sincero. O disco 2 encerra com a arrasa-quarteirão “Spit Out the Bone”, que com certeza seria presença garantida em um dos grandes clássicos da banda, tamanha a sua envergadura.

O disco 3 abre com a funcional “Lords of Summer”, de refrão fácil e pegada característica do Metallica. Aí temos a presença de 3 covers: o primeiro é o medley Ronnie Rising extraído do tributo a Ronnie James Dio, ‘This Is Your Life’, lançado em 2014. O segundo é “When A Blind Man Cries” do Deep Purple, originalmente lançado no tributo ‘Re-Machined: A Tribute to Deep Purple’s Machine Head’ de 2012. E por fim “Remember Tomorrrow”, do Iron Maiden, cuja versão original é de 2008 e está contida no tributo da revista inglesa Kerrang!, Maiden Heaven.

Para finalizar este terceiro disco, o show na íntegra do Record Store Day. Aliás, um show onde o Metallica tocou somente músicas dos seus dois primeiros álbuns em uma loja em Berkeley, EUA, para alguns poucos sortudos na plateia. O vídeo desta apresentação pode ser visto no YouTube e é imperdível. Após todo esse massacre está uma versão para “Hardwired…” gravada em Minneapolis em agosto de 2016.

Em resumo, um álbum digno do Metallica, com muito mais acertos que erros, a começar pela primorosa produção de Greg Fidelman, que já havia trabalhado com eles em Death Magnetic e com bandas que dispensam apresentações como Black Sabbath, Slipknot e Slayer. Além disso cabe a reflexão: se o Metallica cometeu ou comete tantos deslizes como invariavelmente são a eles computados, por que nenhuma banda foi capaz de destrona-los do topo do Metal até hoje?

Metallica

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

Posts Relacionados