Por Murillo Leite

A segunda edição do Free Pass Metal Fest foi um espetáculo! Reunindo duas bandas altamente relevantes na cena mundial, Anthrax e Accept, e contando com a abertura de uma banda brasileira, King of Bones, que devido ao trânsito caótico de São Paulo infelizmente não pôde ser resenhada (lembrando que estávamos em uma quinta-feira), o evento ocorreu em uma casa excelente, com um público animado e digno da magnitude do cast escalado.

Pela quarta vez assisti a um concerto do Accept e posso facilmente dizer que hoje em dia é a banda de metal que faz o som mais moderno dentre as nascidas nos anos 70. Divulgando o seu último álbum The Rise of Chaos, aliás um petardo sonoro já resenhado aqui no Metal Heavy – https://metalheavy.com.br/accept-the-rise-of-chaos/, a banda alemã nos brindou com o seu som maravilhoso, destacado pela qualidade sonora impecável e visual imponente.

Começando em alto nível com “Die by the Sword”, seguiu-se com a matadora “Stalingrad” para desembocar em “Restless and Wild”, que trinca para iniciar um show! Voltando para 1983 tivemos “London Leatherboys” e do mediano Blind Rage (2014) eles executaram “Final Journey”. Nesse momento a banda já estava totalmente ambientada e a empolgação deles tocando é contagiante.

Mais dois sons de The Rise of Chaos são arremessados ao público, a pesada “Analog Man” e como assim, Accept thrash metal? Sim, chama-se “No Regrets” um coice em forma de música que abriu caminho para uma sequência de clássicos que levou às lágrimas os fãs: “Princess of the Dawn” com Mark Tornillo incitando o Tom Brasil a cantar o refrão com ele, a inesperada “Objection Overruled” do álbum homônimo de 1993, a impagável “Fast as a Shark” com sua introdução debochada. Agora uma pausa, quem viu um show do Accept sabe que “Metal Heart” é a celebração máxima do metal, Wolf Hoffmann dá aula no solo e convoca a todos da plateia a cantar “Pour Elise” de Beethoven, fantástico.

Com grande performance do outro alicerce da banda, Peter Baltes no baixo, tivemos a marcante “Teutonic Terror” e para encerrar o hino “Balls to the Wall”. É difícil colocar em palavras um show do Accept, portanto, da próxima vez não deixe de os assistir, porque mesmo com os novos integrantes, Uwe Lulis na guitarra e Christopher Williams na bateria, é garantido que você irá participar ativamente da apresentação e certamente irá presenciar uma performance inesquecível deles.

Após um intervalo de aproximadamente meia hora eis que toca “The Number of the Beast” do Iron Maiden e “I Can´t Turn You Loose” de Otis Redding na versão dos Blues Brothers, então era hora de ver Anthrax! Abrindo com dois sons do Among the Living, a faixa-título e “Caught in a Mosh” a roda de ‘pogo’ logo se instaurou no recinto. Apesar do som não estar tão cristalino quanto no set do Accept o palco possuía rampas que eram exploradas com exaustão por Joey Belladonna, Frank Bello e Scott Ian. Jonathan Donais é mais contido e se concentra na sua guitarra enquanto Charlie Benante surrava sua bateria incessantemente.

“Got the Time” é explosiva e agitou a todos enquanto a próxima, “Madhouse” nos transportou para os áureos anos 80. Do álbum Worship Music tocaram a grudenta “Fight’ em ‘Til You Can’t”, na minha humilde opinião há sons mais legais desse disco para ser tocados ao vivo. Do último álbum For All Kings tocaram a pérola “Breathing Lightning”, particularmente acho linda essa música e fiquei extremamente realizado de ter visto sendo executada com a dramaticidade que ela possui.

O que dizer de “Medusa”? Palavras não farão justiça à emoção que esta canção emana dos riffs e da linha de vocal soberba que Belladonna declama, perfeita! Relembrando o personagem dos quadrinhos Judge Dredd tivemos “I Am the Law” emendada com o trecho inicial de “March of the S.O.D.” do Stormtroopers of Death, que deixou muitos ali salivando por mais sons deste projeto oitentista que uniu Anthrax, Nuclear Assault e M.O.D.

Mais uma do For All Kings, “Blood Eagle Wings” e seu peso mastodôntico escancararam a porta para “Be All, End All” com seu côro e refrão cativantes. “Efilnikufesin (N.F.L.) formou com “Antisocial”, cover da banda francesa Trust, a dupla que originou o único e impactante Bis do Anthrax: “Indians”, uma música atemporal e cuja parte “Mosh” fez o público erguer o Wall of Death que culminou no encerramento do festival.

Uma noite e tanto para os fãs da música pesada e na saída me peguei pensando “por que não termos mais eventos de metal com estes perfis de bandas futuramente? ”, não seria interessante juntar Judas Priest com Exodus, Saxon com Testament? Tenho certeza que este modelo de cast agradaria em cheio fãs de diferentes faixas etárias. Encaixando uma banda brasileira então, aí seria perfeito! Fica a dica aos promotores de shows \m/

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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