Mais de duas décadas de estrada, shows em diversas partes do globo, lançamentos em diversos formatos. A cada ano que passa o Nervochaos se mantém firme, na ativa. Qual é o segredo dessa longevidade?
Edu: Não acho que seja um segredo. Eu acredito que quando se há vontade, encontra-se uma maneira de seguir em frente. E quando fazemos aquilo que amamos e vivermos isso, continuaremos firmes e fortes na ativa.

Vocês estão prestes a lançar mais um álbum e segundo informações as gravações foram feitas no exterior. O que você pode nos adiantar sobre este vindouro disco?
Edu: Esse é o nosso sétimo álbum de inéditas e se chama Nyctophilia. Ele foi gravado na Itália durante o mês de agosto do ano passado. Ficamos 1 mês junto com o Alex Azzali (que produziu, gravou, mixou e masterizou o álbum) e acredito termos feito o nosso melhor trabalho ate o momento. São 13 faixas englobando todas as características sonoras da banda.

Ainda sobre o disco novo, há um lyric video para a música “Moloch Rise”, confesso que curti muito o som. O que você pode comentar sobre este vídeo, já que muitas bandas têm investido nesse formato de divulgação para seus novos trabalhos?
Edu: Fico contente em saber que curtiu o som! Essa musica abre o novo disco e resolvemos fazer um lyric vídeo dela. Já havíamos utilizado esse formato de divulgação no disco anterior e gostamos do resultado. Para o novo álbum, temos 3 vídeos para serem lançados, antes do lançamento do disco (que será dia 07 de Abril). Começamos com o lyric video de “Moloch Rise” e semana que vem será lançado o vídeo clipe da música “Ad Maiorem Satanae Gloriam”. E no fim deste mês, lançaremos o vídeo clipe (em 360graus) da música “Ritualistic”.


Acompanho vocês desde o início da banda, após deixarem o Siegrid Ingrid para formarem o Nervochaos, e a troca de integrantes foi considerável sendo que em alguns casos você era o único remanescente e cabia a você a reestruturação. O que te move a recomeçar e o que você tira deste processo cíclico de reinvenção do Nervochaos?
Edu: A troca de integrantes não é algo que desejo mas é algo necessário para manter a banda na ativa, saudável e com uma base solida. Sou o único membro da formação original e acabo zelando pela proposta da banda e mantendo a banda na ativa. O lado positivo da troca de formação é justamente o ‘sangue’ novo que é adicionado a banda. Tivemos por 5 anos a mesma formação e isso fez com que a banda crescesse bastante. Já estamos com essa nova formação faz mais de um ano e espero que permaneça assim, pois certamente esta é uma das melhores formações que já tivemos.

O Nervochaos sempre foi muito da estrada, hoje em dia talvez seja ao lado do Sepultura, Krisiun e Nervosa uma das bandas brasileiras que mais faz tours no estrangeiro e também no Brasil. Quais são os pontos positivos e negativos da vida nômade?
Edu: Acredito que como em tudo na vida existem os dois lados, ou seja, o lado positivo e o lado negativo. O positivo é viver daquilo que se gosta, tocar praticamente todos os dias, viajar o mundo fazendo shows e conhecendo culturas diferentes, pessoas, bandas,…enfim uma infinidade de coisas boas. O lado negativo é ter que abrir mão de momentos com a família, incontáveis horas de espera e noites mal dormidas. Definitivamente somos do time de bandas da estrada e só permanece nele quem realmente vive esse estilo de vida.

Ainda sobre shows, por um bom tempo você esteve por trás da produtora Tumba, mas por razões pessoais você acabou interrompendo suas atividades empresariais. Ainda pensa em reativa-la e voltar a produzir eventos, uma vez que em termos de Metal extremo você foi um precursor e até mesmo uma referência para shows internacionais deste estilo?
Edu: Foram 17 anos produzindo shows e tours pela América Latina. Atualmente estou trabalhando em uma agencia europeia, cuidando do território Latino Americano mas não limitado apenas a ele. Quem sabe num futuro próximo volte com a Tumba, mas no momento não há planos disso.

Dentro do universo estradeiro do Nervochaos, quais foram as gigs ou tours que mais lhe marcaram?
Edu: Todos os shows e todas as tours são especiais e únicos a sua maneira. Guardo boas lembranças de dezenas de shows e tours. Por exemplo, as primeiras tours no Brasil em 1997 (com KRISIUN) e 2002 (com TORTURE SQUAD); na Europa de 2008 a 2016; no EUA em 2015; pela Ásia em 2015 e 2016; na África 2016 e muitas outras mais para listar aqui.

Você tem acompanhado o surgimento de novas bandas brasileiras e gringas? O que você poderia recomendar aos leitores do Metal Heavy que te fez a cabeça nos últimos tempos
Edu: Estou sempre antenado no cenário musical em geral e procuro estar atualizado em relação aos lançamentos, sejam de bandas novas ou antigas. Ultimamente tenho escutado bandas como SKELETAL REMAINS, DISRUPT, DEAD CONGREGATION, EXMORTUS, NAILS, WIDESPREAD BLOODSHED, SURRA, CREPTUM, COLDBLOOD, GRAVEYARD, DOOM, S.O.H., E.N.T., R.D.P., NOMEANSNO, REVOCATION, SHED THE SKIN, VOODOO GODS e muitas outras mais.

O clipe de “For Passion Not Fashion” é uma crítica direta aos chamados Web Bangers, aqueles que contribuem “virtualmente” para a cena. Como fazer para que esse panorama mude e mais pessoas passem a efetivamente participar do cenário brasileiro? Sabe dizer se é um fenômeno tupiniquim ou se em outras partes do mundo isso ocorre também?
Edu: Acredito que isso ocorre no mundo todo mas talvez em alguns lugares haja mais discernimento do que em outros. A internet é uma ferramenta fantástica e devemos saber utiliza-la e não nos tornar escravos dela. Essa musica (e o clipe) abordam justamente isso. O protesto é em relação ao mau uso da internet, onde pessoas ficam difamando/inventando, criticando destrutivamente e deixando de viver o mundo real…muitas vezes tentando se transformar em pessoas que não são e não existem no mundo real. Apoiar verdadeiramente a cena não é apenas pelo número de curtidas no Facebook ou pelos downloads ilegais ou mesmo ainda assistindo shows no Youtube….tem que levantar a bunda da cadeira e viver o mundo real…ir aos shows, comprar material,…manter vivo todo esse ‘ecossistema’ que é a nossa cena. Todos tem um papel fundamental para manter a chama acessa e a cena viva, desde as bandas, o publico, os locais de show, os produtores locais, a imprensa, as gravadoras, as distros e etc.

Este espaço é seu. Deixe uma mensagem aos seguidores do Metal Heavy e boa sorte ao Nervochaos!
Edu: Muito obrigado pelo espaço, pelo apoio e pela entrevista. Para saber mais sobre a banda visitem www.nervochaos.net

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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