Por Vinicius Castro

Coragem, audácia, quebra ou simplesmente a forma com que dois amigos encontraram de transmitir sua mensagem dentro do heavy metal: a de se divertir fazendo com o coração aquilo o que se propõe.


Fora das estruturas convencionais, o Moymondo se formou para fazer valer o famoso “quem quer de verdade, vai e faz”. Nesse formato, sem esperar nada de ninguém, GG Raymundo e Tenente Moysés seguem fazendo o que acreditam. E em um universo de tantos julgamentos, isso é realmente uma afronta. Mas afinal, o que é o heavy metal senão uma música de combate aos conceitos, culturas e padrões pré-estabelecidos? Portanto, vale conhecer um pouco mais sobre esse duo e para isso a gente foi conversar com os caras e a entrevista você pode ler aqui e agora.

 

1- Pra começar, se vocês tivessem que apresentar o Moymondo para um público que nunca tenha ouvido falar da banda, como fariam isso?
Tenente Moysés: O MOYMONDO é uma banda de metal. Combinamos várias influências de bandas brasileiras e gringas ou seja, nossas raizes mais profundas, e tentamos desconstruir isso harmonicamente. Há pouco espaço para padrões repetitivos e tem lugar para o inesperado na nossa música.
GG Raymundo: Isso! Um crossover não quadrado.

2- É difícil passar ileso ao formato um tanto diferente em que vocês funcionam. Por quê só vocês dois? Existe alguma postura por trás da escolha disso?
TM: Sim. O formato duo aconteceu porque ninguém deu certo tocando no MM com a gente. Hoje é uma marca da banda. Ser um duo é algo diferente, mas há mais duos brasileiros de metal hoje em dia. O Days of Hate de São Paulo, e bandas de um cara só, como o Cadaveric Hotel, de Santa Catarina. É bom porque desobriga a seguir o padrão guitarra/baixo/bateria/vocal. É possível fazer música sob outros formatos. E soa diferente, o que sempre foi nosso objetivo.
GG: A mistura de intento com “acaso”. Apesar de não existirem regras para que se mantenha assim, hoje, é dessa forma porque nos satisfaz.

3- E como o público tem recebido vocês? Pergunto isso porque o metal ainda preserva certas tradições que por vezes são um pouco difíceis de serem rompidas.
TM: Até agora, bem. Metal é tradição por natureza que é defendida ou atacada pela sua própria base de fãs com paixão dos dois lados. Se alguma banda pisa fora do que os fãs tradicionais definem ser o melhor ela, a mesma é atacada por muitos e defendida por outros tantos com pensamento mais vanguarda. Vemos isso frequentemente. O Iron Maiden quando trouxe o Blaze. O Derrick no Sepultura. O Metallica com Load, Reload e Lulu. Assim, nosso formato em duo, sendo relativamente incomum no estilo, joga a nosso favor. Além de ser uma quebra de paradigma, mostra que é possível tocar o que você gosta de várias formas. Principalmente com a tecnologia disponível pra esse fim hoje.
GG: Pode ser não convencional, mas não é estranho. As referências que temos soam no nosso som e fica fácil de serem identificadas musicalmente. No final das contas, quem gosta de metal estará ouvindo metal quando nos ouvir.

4- Vocês já gravaram duas demos. Como elas foram recebidas pelo público? Vocês têm sentido que as pessoas estão receptivas para com a proposta do Moymondo?
TM: Tivemos ótimos feedback de ambas as demos.”Saputanás”, de 2015 e “Devoção”, de 2016.
GG: Hoje o “público” é muito mais restrito. Antigamente você tocava para vários “desconhecidos” nos lugares que geralmente deixavam os picos cheios. Hoje, a “prospecção” de ouvintes é bem mais difícil. A vida virtual joga contra a realidade física e traz o comodismo pra dentro de qualquer lugar e aí, alguém ir te ver tocar é bem mais difícil. O que fomenta as bandas são os amigos que apoiaram desde o início e os que vamos fazendo ao longo do caminho.

5- O som de vocês passeia por várias vertentes mas tem como base o metal. Quais são as principais influências da banda?
TM: Primariamente, thrash metal, metal tradicional, death metal com punk, hardcore, hard rock etc.
GG: Isso. E o Ezequiel, volante do Corinthians na década de 80.

5- Como funciona o processo de composição e gravação de vocês? Por ser só vocês dois dá menos trabalho mesmo? Isso facilita na hora de tomar certas decisões, tem menos briga…
TM:
Certamente. Os conflitos que aparecem são mais facilmente resolvidos em dois. As composições são feitas tocando em estúdio e são compartilhadas. Durante a gravação do nosso 1º disco, uma das músicas nasceu durante esse processo. Tivemos que aprendê-la pra tocar ao vivo (risos).
GG: No aspecto harmônico, insights meio que instantâneos surgem para serem trabalhados e lapidados na sequência, seja tocando juntos, ou separados.

6- Ainda falando sobre composições, quem escreve as letras? Quais são os temas que vocês abordam e por quais motivos?
TM: Insanidade é recorrente. Falta de respeito está presente também. Anormalidades e alterações.
GG: E o caos generalizado da nossa espécie e do “enviroment”.
TM: A (a)normalidade é meio relativa. Normal pra você pode não ser pra mim. Respeite o que penso. Mesmo pensando diferente, podemos continuar vivendo em paz.
GG: A letra é consequência do nosso som. É composta em cima do que o instrumental oferece. Onde não é necessário o vocal para encher ou completar, não tem vocal. E onde você espera uma voz, pode não ter. Aquele refrão que você espera pode não rolar.

7- Vocês já passaram por outras bandas, tem uma história com bastante conteúdo dentro do undeground. Como vocês enxergam a movimentação das bandas, do público e dos lugares para tocar de hoje em dia?
GG: De novo entra o lance do canibalismo virtual. Tem muuuuita coisa rolando, muita banda, festivais, muito disco pra se conhecer. Mas quando tentamos transformar isso em prática (num show ou em venda da nossa arte), não tem quase ninguém fisicamente presente. Temo, por exemplo, de ver em um breve futuro, que os shows sejam substituídos por streaming em redes sociais, o que já começa acontecer em fase embrionária. Isso mostra que realmente aquela característica orgânica de tudo isso vem se dissolvendo com a “evolução”.

8- E para o futuro? Quais são os planos da banda?
TM: Estamos gravando nosso 1º álbum, “MOYMONDO”, que sai em 2017.
GG: Lançar o disco e divulgá-lo virtualmente e fisicamente.

Moymondo

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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