Por Vinicius Castro

No Brasil, o death thrash eternizado por bandas como Sadus, atende por um nome: Insanitah. O baixo fretless, os riffs intricados, os andamentos quebrados e a agressividade genuína são a maior prova de que o death thrash está mais vivo do que nunca.

O Insanitah vem da grande São Paulo. Formada por Paulo Marcondes (guitarra e vocal), Fernando Palmieri (baixo fretless) e Alex Kruppa (bateria). Em 2015 eles lançaram seu registro de estreia, o EP The Mechanism of Forgotten Ages. Elogiado por muitos, o disco passeia por referências diretas de Kreator, Death, Atheist e algumas outras.

Para conhecer um pouco mais da banda, o Metal Heavy foi trocar uma ideia com o vocalista da banda, Paulo Marcondes. Se você é fã do estilo, vai na fé. Leia, ouça e compartilhe porque o Insanitah merece, e muito!

1- Paulo, pra começar, conta pra gente como começou a banda e qual era a proposta de som que vocês queriam fazer. Quais são as principais influências do Insanitah?
Paulo Marcondes
– Nos reunimos pela primeira vez em 2005, e de lá pra cá pausamos as atividades por duas vezes, os famosos “problemas pessoais”. Fizemos experiências com outros músicos que não chegaram a membros efetivos e sempre acabamos voltando a esse line up com Alex Kruppa na bateria, Fernando Palmieri no baixo e eu, guitarra e vocal. Acho que nunca tivemos a certeza plena de como soaria e embora cada um viesse carregado de influências que muitas vezes não eram comuns entre os três, sabíamos que cairia em algum ponto entre o death e o thrash. Bandas como Slayer, Kreator, Nuclear Assault e Sodom do thrash e Atheist, Death, Cynic, Sadus, Bolt Thrower entre outras do death metal são exemplos do que é um gosto comum dos três.

2- Vocês transitam bem entre o death e o thrash. Como funciona o processo de composição de vocês?
Paulo
– Um dos três sempre chega com uma ideia, muitas vezes com uma música já parcialmente fechada no seu instrumento. Digo parcialmente fechada porque depois de passar pelos outros instrumentos normalmente lapidamos de acordo com as outras possibilidades que surgem nas composições individuais e quando no estúdio, outras mais aparecem. Acho que essa finalização depois de todo mundo já familiarizado é uma das partes mais legais no processo, porque é onde conseguimos juntar de forma coerente as peças do quebra-cabeça.

3- The Mechanism of Forgotten Ages foi lançado no ano passado, certo? Como foi o processo de gravação do disco? Vocês ficaram satisfeitos com o resultado?
Paulo
– Sim, ficou pronto em maio de 2016. Foi muito legal, gravamos no Estúdio Fúria V8, no Ipiranga, do grande amigo Denis Gomes. A intenção era fazer uma “homenagem” a uma das épocas mais legais que vivemos, os 80 e começo dos 90, então desde o nome, capa ( que foi pintada mesmo, um quadro do genial Eduardo Viriato) e a maneira de gravar ficou meio que atrelada à ideia. A gravação da bateria por exemplo foi feita em duas partes, primeiro os tambores e depois pratos, como foi costumeiro naquela época. Particularmente, acho que para um primeiro registro em que nenhum dos três sabia no que ia dar. Foi proveitoso, eu gostei, e tento não pensar no que poderia ter sido feito diferente naquelas músicas. Gosto da ideia de que as coisas foram registradas da melhor maneira para o momento.

4- Ouvindo o disco, dá pra perceber que a música de vocês tem bastante personalidade. Como você se sente com isso?
Paulo – Eu gosto de pensar assim, e te agradeço por ter citado. Acho fundamental que as bandas tenham esse DNA próprio impresso no trabalho que fazem, e é disso que a cena autoral precisa, de coisas novas e que não remetam imediatamente à algo que já existe. Eu ficaria frustrado se no final de um processo de gravação se eu fosse ouvir o cd do Insanitah e achasse parecido demais com algo que é identidade de outra banda.

5- Todos vocês já tocaram em outras bandas e hoje a cena da música extrema parece um pouco mais aberta do que nos velhos tempos dos anos 80 e 90. Você concorda? Como você enxerga a cena da música extrema nos dias de hoje?
Paulo – De certa forma eu acho que sim, que está mais aberta. Mas talvez a fragmentação do estilo seja a explicação para isso. Existem centenas de denominações para os estilos dentro dos estilos e talvez isso passe a impressão de amplitude. Quanto à cena, acho que está numa crescente legal. Vejo muitas boas bandas comprometidas que estão mais centradas no trabalho, boas surpresas com trabalhos surpreendentes e embora ainda haja dificuldades como sempre houveram, a perspectiva é mais otimista. Ainda precisamos mudar a atitude como público. Ainda precisamos de mais respaldo das casas, mas não dá pra negar que existem ocasiões em que você vê claramente que as coisas estão caminhando para uma condição mais favorável.

Entrevista com a banda Insanitah6- Como tem sido a recepção dos fãs nos shows que o Insanitah tem feito por aí?
Paulo
– A gente tem curtido muito esse lance com o público. Em 2005, 2006 a galera que ia assistir a gente parecia que muitas vezes não entendia a proposta, o que estava acontecendo no palco. Hoje tem mais interação, até por conta do nosso amadurecimento , e o público em geral, que na maioria das vezes vira amigo nosso no final, responde bem, aproveita o momento conosco e isso é incrível.

7- O thrash metal tem uma forma bem diferente do death metal na hora de abordar os temas das letras. No quesito temática, o Insanitah é mais uma banda de death ou de thrash?
Paulo
– Difícil responder. Thrash ou death são estilos muito amplos e cheios de subdivisões. Pessoas colocam, por exemplo, Tankard e Slayer como bandas thrash, mas eu particularmente não vejo similaridade nas temáticas entre eles. Assim como acontece com o death metal. Bandas parcialmente dentro do mesmo estilo mas diferentes na maneira de expressar a ideia por trás de uma letra. Talvez sejamos mais death do que thrash nas letras, mas isso depende muito de interpretação de cada um.

8- Pra finalizar, quais são os planos para o futuro da banda?
Paulo – Estamos fazendo os ajustes nas músicas que estarão no full lenght, que pretendemos lançar esse ano. Vai ser um álbum só de inéditas e estamos num processo bem encaminhado, lapidando e curtindo muito as novas composições. Continuamos vendo datas, por enquanto sem excessos por causa da necessidade de gravar logo e só essas duas frentes de trabalho já tomam muito tempo. Um ano atrás fizeram essa mesma pergunta pra gente, no lançamento do EP, e a resposta foi que queríamos tocar no maior número de lugares possível, com o maior número de bandas possível. A resposta continua valendo. Fica aqui nossa eterna gratidão pela oportunidade de conversar com vocês. Entre os prazeres de estar fazendo música, estar numa banda, o de conversar à respeito disso com quem conhece do assunto e se dedica a divulgar esse tipo de música é um dos maiores. Muito obrigado e parabéns pelo trabalho.

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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