Hoje, o Bode Preto é, sem dúvidas, um dos nomes mais reconhecidos dentro da música extrema mundial.

Tanto no Brasil quanto fora do país, a banda é reconhecida pelo seu black metal ríspido, brutal e de muita qualidade.

Desde sua estreia, com o incrível Dark Night, e mais tarde com algumas turnês mundo afora, o Bode Preto não parou mais e seguem acumulando por onde passam, muito respeito e admiração de fãs, músicos e também da mídia especializada.

No momento, a banda está na Europa, mas entre um show e outro pela Europa, Josh S. Gentilmente topou responder algumas perguntas para nossa entrevista que você pode ver a seguir.

Foto: Henriette Bordvik

Fala Josh, antes de mais nada, muito obrigado pela entrevista. Pra começar, se você pudesse apresentar o Bode Preto para quem ainda não conhece a banda, como você faria isso?
Saudações a todos, é um prazer responder a algumas perguntas sobre a banda. O Bode Preto teve início em 2010 em Teresina, temos 2 LPs e 2 EPs lançados.

Quando vocês gravaram o excelente EP Dark Night, você imaginava que a banda seria bastante conhecida dentro e fora do Brasil?
Eu não consigo ter a impressão exata de quanto a banda é conhecida, a intenção desde o início sempre foi disseminar o som e o nome.

O Bode Preto é uma das bandas que se mantém fiel às características do início do black metal. É uma maneira de manter viva as origens do estilo ou simplesmente é algo natural pra você que a banda soe mais ligada a linha mais agressiva e primitiva do black metal
Temos forte influência de bandas como Venom, Possessed, Sodom, mas também de Hellhouse, Agathocles, NYC Mayhem… Agora que já temos alguns discos lançados a maior influência sem dúvidas é o próprio material da banda.

Foto: Carlos Funes

O novo EP, Dead Man Rise, soa tão direto e poderoso quanto os outros álbuns. Como foi o processo de composição e gravação desse novo registro de vocês?
Durante o processo de produção do Mystic Massacre, Goat, um dos membros fundadores do VON, com quem eu já tinha contato, mandou um e-mail sugerindo que fizéssemos um som juntos onde ele faria a letra e vocal, eu estava com 15 demos ainda sem letra para o álbum e enviei um CD pra ele escolher uma e fazer as partes que mencionei acima. Ele acabou escrevendo letras e gravando vocais para 6 faixas, que estão no EP Dead Man Rise, são músicas da mesma safra do Mystic Massacre.

 “Dirty Honey” e “Demented Night” são duas músicas de Dead Man Rise que exploram riffs mais, digamos, melódico. “Demented Night” até me remeteu ao Beherit dos tempos de The Oath of Black Blood. Dá pra dizer que, dentro de toda aura extrema da música de vocês, tem um novo caminho aí a ser explorado?
Desde o início temos partes com melodia mais definida, como “Sweet Fever” por exemplo, então é algo que às vezes fica mais presente e outras vezes menos. Certamente vão continuar a aparecer riffs com intervalos mais melódicos, inclusive agora mesmo tenho feito novos sons que devem gerar um álbum em 2018.

Foto: Liquid Red Photography

Existe algum disco que você acredita representar melhor o que é o som do Bode Preto
Sim, Mystic Massacre. Mas qualquer uma das músicas da banda isoladamente é o som do Bode Preto.

O Bode Preto já passou por diversas formações, né? Como que está a formação atual
Desde o começo de 2017 que estou trabalhando com colaborações de músicos convidados. Desde então tocamos no IV Underground Metalfest em Fortaleza com o Rodrigo F. no baixo e um velho amigo, Bruno Gabai na bateria, o que foi excelente. Fizemos uma tour na Europa no mês de outubro com Asagraum, Wormwood e Impiety, foram 8 shows ao todo, contando com a participação no festival Rites of the Black Mass II em Bucareste. Todos com Trish Kolsvart na bateria e Veronica Seterhall no baixo e vocais (ambas do Asagraum), é a versão da banda que tocou as músicas mais próximo da maneira que as imaginei ao compor.

O black/death metal tem algumas linhas de conteúdo em suas letras. Qual o ponto que vocês mais gostam de abordar nas letras do Bode Preto e por quê?
Cada música aborda algo diferente, por exemplo, “Dark Obsession” é sobre domínio através de hipnose dissimulada. “Lethargy” é sobre o estado de dormência física, espiritual e psíquica que grande parte da humanidade encontra-se a boiar e sobretudo da consciência desse estado.

Pra terminar, essa nunca pode faltar. Quais são os 5 discos de black metal que mais te influenciaram?
VenomBlack Metal
Mystifier – Wicca
Celtic FrostTo Mega Therion
Impaled Nazarene – Ugra Karma
BathoryUnder the Sign of the Black Mark

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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