Que o Motley Crue é um dos grandes nomes do heavy metal a gente já sabe. Mas dentro da discografia dos caras existem muitos acertos e alguns registros menos unânimes de uma banda acostumada com o estrelato e os grandes feitos e exageros, claro.

Pensando nisso, resolvemos preparar pra vocês um Discografia Faixa a Faixa especial com esse grande nome do glam, do hard, do heavy, da música. A importância do Motley Crue é indiscutível e já logo aviso, eu tentei, mas é realmente difícil fugir dos grandes hits.

Vale dizer que o Discografia Faixa a Faixa não é uma lista definitiva de melhor ou pior, mas sim as músicas mais legais para esse que vos escreve e eu espero que vocês se divirtam ouvindo e lendo essa linhas de impressões sobre cada uma das músicas extraídas da discografia do grande Motley Crue, uma banda que, goste ou não, chocou e gerou muito amor e ódio entre os fãs da música pesada.

 

 

“Live Wire” Too Fast For Love (1981)

Motley Crue Too Fast for Love album

 

Dentro do primeiro e incrível disco da banda, gosto muito de “Starry Eyes” e também acho “Piece of Reaction” uma baita música, mas não tem como fugir ou negar a importância de “Live Wire” dentro do cenário da época. Sempre que escuto esse disco, e não são poucas as vezes, imagino a Sunset Strip daqueles dias, os anos 80, o perigo atraente e um bando de jovens dando de ombros aos limites e aos perigos da época. E se tem uma banda que soube traduzir isso com perfeição foi o Motley Cure. Um patrimônio vivo de Los Angeles e “Live Wire” a trilha perfeita para esse merecido título.

 

“Looks That Kill” Shout At The Devil (1983)

Motley Crue Shout At The Devil album
Ok, “Shout At The Devil” é uma música e tanto, mas “Looks That Kill” é, com o perdão do trocadilho, matadora. Agora pensem comigo. O ano é 1983. Falar de sobre temas “perigosos”, vestindo aquelas roupas e maquiagem carregada não era pra qualquer um. O Motley Crue era realmente uma banda “temida” e isso fazia crescer ainda mais o interesse por parte de quem ainda não conhecia o som dos caras. Sexo, drogas e rock and roll levados a sério, muito a sério. Isso era o Motley Crue e o tema de suas músicas faziam um paralelo com essa história toda.

 

“Home Sweet Home” Theater Of Pain (1985)

Motley Crue Theater Of Pain album
Tá aí um disco “a cara dos anos 80”. Por seus timbres, composições e andamentos, Theater Of Pain traz muito do significado daquela época e mais uma vez eles souberam traduzir com extrema veracidade o sentimento que fervilhava pelas ruas de Los Angeles como em “Home Sweet Home”: You know that I’ve seen too many romantic dreams up in lights, fallin’ off the silver screen. É uma linda música, brega, cheia de partes manjadas, mas é impossível fugir do marco que ela foi na carreira do Motley Crue. “Home Sweet Home” é uma luta entre a ressaca e o arrependimento do dia seguinte com a vontade de viver tudo aquilo novamente porque o Motley Crue é feito desses abusos, inclusive na dosagem de açúcar na hora de criar uma boa balada oitentista.

 

“Wild Side” Girls, Girls, Girls (1987)

Motley Crue Girls, Girls, Girls album
Girls, Girls, Girls foi o primeiro disco que eu tive do Motley Crue depois de ver oi clipe da faixa título no saudoso Clip Trip e atormentar meus pais para comprarem o álbum. Consegui, o que foi bom porque até hoje é um disco que ainda soa muito bem. Em seu conceito, Girls, Girls, Girls é uma aula de hard rock oferecida por uma banda no seu auge e “Wild Side” é pra mim uma das melhores e mais representativa músicas desse disco.

 

“Same Ol’ Situation”Dr. Feelgood (1989)

Motley Crue Dr Feelgood album

 

Se no disco anterior os caras evoluíram muito em termos de composição, atitude e energia, com o lançamento de Dr. Feelgood a coisa ficou astronômica. É também um disco que eu gosto muito, cheio de grandes músicas e uma baita produção assinada por Bob Rock, o mesmo cara que depois fez o Black Album, do Metallica. Vince Neil mais seguro nas linhas vocais, Nikki Six ainda mais criativo e assertivo, Mick Mars cirúrgico e Tommy Lee soando ainda mais pesado e dinâmico. Lembro que quando ganhei esse LP, ouvi muito e “Kickstart My Heart”, “Don’t Go Away Mad”, “Without You” e a faixa título sempre estiveram entre minhas preferidas, mas com o tempo, “Same Ol’ Situation” conquistou esse posto e permanece nele até hoje.

 

“Primal Scream” – Decade of Decadence (1991)

Decade of Decadence coletânea Motley Crue
Decade of Decadence foi uma coletânea que a banda lançou com alguns remixes e três músicas novas sendo uma delas o cover de “Anarchy in the U.K.”, do Sex Pistols. Entre as outras duas novidades estava “Primal Scream”, que pra mim, é uma das melhores músicas que eles já compuseram. O ano era 91 e tinha uma certa obrigatoriedade no ar que forçou algumas bandas a se adaptarem ao novo som que vinha tomando conta das rádios: o grunge. “Primal Scream” não tem nada de grunge. Manteve o Motley Crue nos trilhos com muito peso e uma dinâmica contagiante.

 

“Hooligan’s Holiday” Motley Crue (1994)

Motley Crue album
Absolutamente nada contra o John Corabi, mas o Motley Crue é aquele tipo de banda que não funciona sem sua formação original. Esse álbum homônimo foi uma grande tentativa de colocar o Motley Crue entre as bandas dos anos 90 que apostavam em som mais pesado, mas o que acontece quando você deixa de lado sua essência para tentar acompanhar a moda do momento? Dá errado, claro. Ouvindo hoje, não é um disco ruim, Corabi tem um baita timbre vocal, mas também não é um disco do Motley Crue. Dentro desse espectro, “Hooligan’s Holiday” é a melhor das músicas inseridas em um registro sem a personalidade da banda.

 

“Afraid” Generation Swine (1997)

Motley Crue Generation Swine album
Generation Swine é o disco que marca a volta de Vince Neil aos vocais. É também um disco de rock no sentido mais amplo da palavra. Um álbum diferente, mas que traz um Motley Crue mais seguro dentro de um novo caminho e essa segurança que faz com que, diferente do disco anterior, as músicas não soem perdidas ou forçadas. Não é um disco tão fácil para quem sempre acompanhou a carreira dos caras, mas é um disco que hoje em dia faz mais sentido do que na época em que foi lançado. Entre todas as músicas, “Afraid” é uma que eu gosto bastante. Tem um riff simples, mas muito classudo e toda a construção dá a música um climão de uma Los Angeles presa àquela luz de fim de tarde que só existe lá.

 

“Hell On High Heels” New Tattoo (2000)

Motley Crue New Tattoo album
Tá aí um disco que eu escuto pouco e se tivesse que escolher um que eu não gosto muito, seria ele. New Tattoo sempre me soou meio sem alma. Mas ok, é parte do jogo e tenho que escolher uma faixa então fico com a que abre o disco, “Hell On High Heels”. Pra mim, New Tattoo soa como um disco burocrático e para uma banda da importância do Motley Crue isso não é muito bom.

 

“Saints of Los Angeles” Saints of Los Angeles (2008)

Motley Crue Saints of Los Angeles album

Quando eu ouvi essa música a primeira vez era como se a “Shout Out The Devil” tivesse a polidez e fosse gravada no Dr. Feelgood. Claro, isso é só uma referência para tentar ilustrar em palavras as impressões sobre essa música. “Saints of Los Angeles” empolga, tem força e é pra mim a melhor do disco que leva o mesmo nome, mas não desfruta da mesma potência. Não é ruim, mas traz um Motley Crue cansado de nadar, nadar e nadar para se manter no topo sendo que toda discografia da banda já faz com eles sejam eternamente gigantes.

 

Banda Motley Crue

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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