Def Leppard – High ’N’ Dry
(Mercury Records – 1981)

 

  • Joe Elliot – vocal
  • Steve Clark – guitarra
  • Pete Willis – guitarra
  • Rick Savage – baixo
  • Rick Allen – bateria

 

É comum quando em conversas com fãs de metal abordamos o tema Def Leppard e há quase uma unanimidade em apontar Pyromania, de 1983, como o grande álbum da banda. Isso não deixa de ser bem verdade mesmo porque musicalmente a banda atingiu um nível extraordinário de composição neste álbum e comercialmente foi um sucesso arrebatador em várias partes do globo.

Neste caso iremos voltar a 1981, ano em que o Def Leppard lançou seu segundo álbum de estúdio, High ‘N’ Dry. De cara encontramos uma capa que sugere um mergulho em uma piscina vazia, no mínimo curiosa. A produção do álbum ficou a cargo de Robert John “Mutt” Lange, que havia produzido AC/DC, Foreigner, entre outros e que formaria uma parceria de longos anos com o Def Leppard.

O clássico abre com “Let It Go”, um rockão de primeira, refrão grudento e guitarras no talo. Já se destacam os backin’ vocals, que se tornariam marca registrada da banda no passar dos anos. “Another Hit and Run” tem características semelhantes à faixa de abertura e performance matadora de Joe Elliot. “High ‘N’ Dry (Saturday Night) é dotada de um dos mais poderosos riffs da banda, com um certo apelo de AC/DC, certamente um dos pontos altos da obra. A letra narrando uma autêntica farra de sábado à noite é digna de menção também!

Ah, “Bringin’ on the Heartbreak”, que música! Uma balada que transborda feeling e peso, com temas de guitarra dobrados bem ao estilo NWOBHM, magnífica em sua essência! Falar de Elliot e seus companheiros no aspecto interpretação vocal dessa música é ser redundante, mas necessário, linhas de vocais soberbas! “Switch 625” é uma instrumental calcada em uma escala palhetada, recheada com temas de extremo bom gosto e solos esbanjando punch.

“You Got Me Runnin” com seu refrão melódico conduz brilhantemente a faixa enquanto “Lady Strange” entra sem pedir licença com as guitarras fraseadas e licks permeando todo o som, sensacional! As palhetadas cavalgadas de “On Through the Night” fazem referência ao debut-album deles, não somente pelo mesmo título, mas também pela pegada mais metal dos primeiros dias de Def Leppard.

Uma bela prévia de Pyromania, “Mirror, Mirror (Look Into My Eyes) é estupenda e traz elementos que seriam ainda mais explorados no álbum sucessor de High ‘N’ Dry. Finalizando o disco em sua versão “normal” temos a urgente “No No No”, com nítidas influências de Sweet, aliás uma grande referência do Def Leppard, ideal para fechar o disco com o astral lá no alto.

A versão aqui resenhada apresenta ainda uma versão remixada para “Bringin’ on the Heartbreak”, com teclados no refrões e que ganhou um clipe maravilhoso para o relançamento deste disco em 1984. Claramente esta versão foi para atingir o mercado americano, tão ávido por sons ditos comerciais. E o grand finale ocorre com um lado B de 81, “Me and My Wine”, também remixado, um petardo de primeira linha que também ganhou um clipe para esta versão, uma divertida visita à casa da banda, tosco, mas muito autêntico (risos).

Puristas dirão que foi o último disco em que o Def Leppard pisou no terreno fértil da NWOBHM, mas eu particularmente prefiro pensar que se trata de uma obra que abriu os horizontes desta banda fantástica que conseguiu levar à base de tragédias a sua música ao grande, público, colocando o rock pesado nas principais paradas de sucesso.

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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