Deathbringer – L’Enfer c’est nous
(Independente – 2017)

 

Black metal bruto e cheio de má vontade. Ou seja, do jeito que a gente gosta.

O Deathbringer é uma baita banda. Os caras vêm do Canadá, mais precisamente de Montreal, e acabam de lançar L’Enfer c’est nous que eu arrisco a dizer que estará em grande parte das listas especializadas dos melhores discos lançados em 2017.

Logo de início a impressão é de que esse foi um disco concebido nas profundezas de algum buraco negro repleto de desgosto e ódio. Muito ódio. No ano passado, quando eu conheci a banda, eles tinham lançado From Silence Was Born The Sound of Death, um registro repleto da energia que esse tipo de som precisa para transmitir algo que encante nossos ouvidos tendo em vista as centenas de bandas que brotam ao redor do mundo. Ali o Deathbringer já mostrava que tinha aquele algo a mais. Tinha algo diferente em meio a toda aquela podridão. Tinha honestidade. E isso não diminuiu com o lançamento do novo disco, pelo contrário, a coisa tá ainda mais poderosa.

L’Enfer c’est nous tem apenas quatro músicas. É pouco, mas como tudo tem um lado positivo, o disco deixa aquela impressão de que se tivesse mais duas ou três faixas a coisa seria melhor ainda. Mas é só uma impressão porque nessas quatro músicas o Deathbringer descarrega um alta dose de black metal cru, objetivo e violento que supre qualquer necessidade de que o registro poderia ser mais recheado.

A dupla que abre L’Enfer c’est nous são dois verdadeiros atropelos. “Massacre à la tondeuse” e “L’étau de la démence” tem toda postura ríspida e em sua estrutura as duas trazem referências do black metal feito no início dos anos 90. Duas músicas incríveis e perfeitas para abertura de um grande disco.

“Well of Despair / Dépression morbide” e “Our Bones Pave the Way” são mais cadenciadas. A primeira flerta diretamente com o death metal. Já “Our Bones Pave the Way” é a mais heavy metal de todo o álbum e tem uma energia que empolga muito.

A gente sabe que o volume de bandas novas é realmente grande e isso é muito bom. Mas melhor ainda é poder encontrar algo que, entre tantas novidades, é realmente contagiante. E o Deathbringer é uma dessas bandas.

 

Deathbringer L'Enfer c'est nous

Sobre o Autor

Jornalista, guitarrista do Huey e apaixonado por música desde sempre.

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