É extremamente gratificante presenciar voltas de grandes bandas, principalmente as brasileiras que ajudaram a consolidar o metal brasileiro dos anos 80 para cá. Dentre este seleto grupo e fazendo parte da cena mais relevante do metal extremo mundial. Originário de Belo Horizonte, o Chakal retorna com uma formação coesa e afiada, atestando sua qualidade ao longo dos anos.

Contando com a presença de um público considerável no Sesc Belenzinho, aliás, uma menção honrosa ao local que tem aberto espaço para o metal em suas diferentes vertentes e oferecendo uma estrutura impecável tanto para músicos como para os fãs, a banda que atualmente conta com Marcelo Laranja (baixo/vocais), Mark e Andrevil (guitarras) e Guilherme Wiz (bateria) iniciou o set com “War Drums” do álbum Demon King (2004), seguida de “Hangover” com sua introdução grooveada e pegada thrash.

“May Not Mankind Suffer”, do emblemático primeiro álbum da banda, Abominable Anno Domini, que completa 30 anos em 2017 veio embalada pela introdução de Burn do Deep Purple. Na sequência, mais uma faixa do disco de 1990, The Man is His Own Jackal, a empolgante “In Vain” foi executada com extrema precisão. Gosto de praticamente todas as fases do Chakal mas seu último disco de estúdio Destroy! Destroy! Destroy!, particularmente é uma obra prima de agressividade e deste disco tocaram a poderosa “Headshooting for Dummies”, um arregaço!

Mark é um guitarrista de muito bom gosto e isso ficou evidente na inspirada instrumental S.S.C. 333, a esta altura a banda estava totalmente à vontade no palco e Laranja visivelmente demonstrava sua felicidade em estar de volta ao front após quase 25 anos. Emendando com mais dois sons de The Man is…, “Silence and Peace” e “ACME Dead End Road”, cuja versão em estúdio possui o chamado do Papa-Léguas, numa justa homenagem ao desenho animado estrelado por este personagem em conjunto com o famigerado Coiote.

Mais uma amostra de Demon King, “Morlocks Will Rise!” antecedeu a clássica “Santa Claus Has Got Skin Cancer” e a não menos violenta “Children of The Cemetery”. Uma breve pausa e o Chakal retorna com mais uma instrumental, “Nyctophilia” para então encerrar esta apresentação irretocável com o hino “Jason Lives”, só quem viveu a época para saber o impacto que esse som teve na cena metálica.

Espero que o Chakal permaneça ativo por mais anos, trazendo muito peso e qualidade à cena, afinal, o metal brasileiro pulsa há muito tempo pela existência das bandas de ontem, de hoje e de amanhã!

Sobre o Autor

Iniciado com Queen em 81, batizado com Kiss em 83 e graduado em 89 com o Metallica. Começou a tocar guitarra em 85 e três anos depois estava inserido no mundo dos músicos e shows. A paixão pela música levou-o ao Metal e nele pôde desenvolver trabalhos por diversas bandas entre elas o Genocídio, The Cellts, Mastiff entre outras. A partir de 2012 começou a escrever resenhas de shows para veículos especializados em metal, e em 2017 surge o Metal Heavy, para ampliar sua atuação no estilo musical que o acompanhou na maior parte de sua vida.

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