Attic – Sanctimonious
(Ván Records – 2017)

Antes das minhas impressões sobre o álbum, quero deixar claro uma coisa: os resquícios de uma obra autoral somada a criatividade do insubstituível King Diamond inflamam o núcleo musical do Attic. As influências são de uma notoriedade explícita. Muitos podem dizer que não passa de uma cópia. Mas é importante parar, repensar, refletir e acima de tudo escutar o disco com atenção.

A instrumental “Iudicium Dei” serve de introdução para a faixa título, “Sanctimonious”, uma música rápida, bruta e cheia de belíssimas melodias. A dupla Katte e Rob destrói tudo aplicando riffs que variam entre o black e o heavy metal tradicional, conduzidos pela velocidade da bateria de J.P que também toca numa banda de black metal chamada Zwielicht.

Seguimos com “A Serpent in the Pulpit”, uma faixa mais lenta com uma passagem de violão e o falsete vocal tão característico do mestre King Diamond executado com muita competência por Meister Cagliostro.

O disco é totalmente conceitual e narra a trajetória dentro de um convento. “Scrupulosity” conta em forma de história os pecados cometidos pela freira Alice personagem desse conto.

Sanctimonious é um disco crescente que vai ficando cada vez melhor. “Sinless” comprova isso. Uma música incrível em que todos os integrantes fazem seu papel com extrema competência. Christoph Erdmann pontua com seu baixo toda variação vocal e as excelentes guitarras que mais uma vez se destacam.

“Die Engelmacherin” é outra  que merece destaque. Ela atingi seu ápice lá pelos 3:00 minutos onde mais uma vez Katte e Rob se destacam. Para mim essa música tem um dos refrãos mais belos do disco cantado por Christoph Erdmann com muita naturalidade mesmo nas partes mais agudas.

Em “A Quest for Blood” o coro vocal macabro serve de introdução para a impiedosa “The Hound of Heaven”. O disco segue numa crescente matadora e o capricho na produção e evidente. Já em “On Choir Stalls”, as guitarras de Katte e Rob se destacam harmonizando com perfeição as variações vocais do talentoso Christoph Erdmann.

“Dark Hosanna” tem um tom de melancolia que engrandece essa faixa com harmonizações que contém certas peculiaridades acústicas. Com certeza essa é faixa mais lenta do álbum. Em “Born from Sin” a banda mostra uma grande interação atingindo seu ápice.

Mas como a crescente sonora fica explícita por toda audição, o melhor fica para o final com “There Is No God”, uma música de construção impecável onde as variações de bateria para black metal são simplesmente um deslumbre sonoro. Os solos de guitarra pontualmente marcados pelo baixo de Christoph no melhor estilo heavy metal elevam essa música a patamares superiores. Isso pode até soar exagerado, mas é o que sinto e minha obrigação aqui é resenhar com o máximo de sinceridade.

Attic pode até soar como uma cópia de King Diamond, mas depois de escutar o disco por muitas vezes, talvez você mude de opinião e será capaz de notar as qualidades e acima de tudo a criatividade desses alemães.

Espero que o Attic lance muitos álbuns e no decorrer dos anos saia cada vez mais da sombra do King Diamond mostrando para o mundo todo seu talento.

Sobre o Autor

Nascido em São Paulo -SP, cursou Psicologia e jamais exerceu a profissão. É casado, tem dois filhos, e atualmente dedica-se nas horas vagas a escrever sobre heavy metal e suas variadas vertentes. A paixão pelo estilo teve início em 1998 após escutar a faixa titulo do primeiro disco do Black Sabbath, depois disso tudo mudou, tornando-se apreciador, pesquisador e colecionador. Suas outras paixões são action figures e cinema de terror, de preferência dos 80. Considera-se um nerd metaleiro de carteirinha.

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